O meu filho (de 11 anos), chegou ontem a casa e disse: "Pai e mãe: na minha escola estão a organizar um peditório para ajudar as vítimas do TSUNAMI, mas não aceitam dinheiro!!! Eu quis dar os 2 euros que tinha no bolso e a professora disse que não aceitava dinheiro... só alimentos e de preferência de longa duração, tipo conservas e coisas assim... Oh Pai, vamos dar uma lata de atum??? Dizem que UM euro vale muito naquelas terras e... preferem uma lata de Atum??? Porquê, pai???". ...e o PAI ficou sem palavras... ... pelo menos sem palavras "razoáveis" para um miúdo daquela idade que se predispôs a dar "tudo o que tinha no bolso" para ajudar os seus iguais (que tudo tinham perdido). E não aceitaram!!! Como explicar que o Homem, mesmo na desgraça, é ganancioso?, como explicar que , provavelmente, os seus dois euros nunca chegariam a "ninguém" que realmente deles precisa? COMO??? Tentei dizer que o dinheiro pode ser alvo de "desvios", de cobiça, porque quem anda no terreno a ajudar é humano... e, às vezes, por muita boa vontade que se tenha, se pode tornar difícil "não mexer no que não lhe pertence"... com a comida seria diferente: à partida os que distribuem os alimentos, estão já alimentados, não precisarão daquilo que enviamos... "Pai... quem rouba dois euros, melhor rouba uma lata de atum que é capaz de valer muito mais do que isso para quem tem fome...", foi a resposta do meu filho... que rematou: "Afinal, vamos dar uma Lata de Atum... ou quê???". Respondam, se puderem...