Sexta-feira, 1 de Abril de 2005
Mê crido filho,
Escrevi-ti algumas linhas pra saberis que tou viva.
Tou-ti a escreveri devagari pôs sê que nã sabis leri munte depressa.
Nã vás reconheceri a casa cando cá voltáris, pôs agente mudosse.
Acerca do tê pai, ele arranjô um bom trabalho, tem 500 homeins debaxo deli, pôs corta erva no cemitéro.
Avía uma máneca de lavari na casa nova cando agente se mudô, mas nã trabalhava munte bein, a semana passada pús lá 14 camisas, puxê o curdeli e nunca a más a vi.
A tu mana Maria têve um bébéi esta semana, mas ainda nã consegui saberi se é moço ó moça, por isso nã sei sés tio ou tia.
Tamein tenho más nutiças, o tê ti Patrício afugôsse num depósito de vinho da adega comprativa. Mêa dúzia de companhêros, tentaram salvá-lo, mas o cabrão do home dê-lhe umas safanadas e nã o deram de lá tirado. O corpo foi quêmado, mas levô 3 dias pra ardêri.
Fui ô dotori na 5ª fêra e o tê pai foi com migo. O dotori pôsmi um tubo na boca e disse-me pra nã falari durante 10 minutos. O tê pai ofrecesse logo pra comprari o tubo.
Só pingô 2 vezes esta semana, da 1ª vez durante 3 dias, a segunda nunca mais parou. Segunda fêra foi vento, fez tanto vento cuma das galinhas pôs o mesmo ovo 4 vezis.
Recebêmos uma carta do cangalhêro, diz que se nã pagarmos o enterro da tua avó, ele devolvia.
Olha mê filho, cuida-te. Nã te esqueças de bebêres o lête todas as nôtes antes de enterrares os cornos na fronha.
Um bêjo da tu crida mãi.
De Anónimo a 19 de Agosto de 2005 às 15:01
há muito k saí de beja... foi com imensa ternura k reli a velha carta. obg
mariamaria
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(mailto:monteiro@mail.pt)
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