Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

A HISTÓRIA DA GALINHA INÁCIA

A galinha Inácia, como qualquer galinha vivia num vulgar galinheiro com outras galinhas. Certo dia logo pela manhã grande rebuliço levou a que ela mais umas quantas galinhas fossem apanhadas e colocadas numa gaiola, sem que percebessem o que se estava a passar.

O homem conduziu a carrinha até à cidade, onde habitualmente vinha fazer o mercado todos os sábados. É um mercado movimentado junto ao castelo, onde as pessoas tradicionalmente acorrem para comprar os produtos dos camponeses da região, frutas, produtos hortícolas, animais vivos, vende-se um pouco de tudo o que a terra dá, a preços e qualidade mais atractivos do que nos hipermercados.

A galinha Inácia lá estava com as suas amigas, dentro da gaiola em cima duma carrinha de caixa aberta. O dia estava meio chuvoso, mas isso parecia não prejudicar o normal funcionamento do mercado, feirantes e compradores levavam a cabo as suas normais tarefas de vender e comprar.

Alice, uma menina de três anos que apenas conhecia galinhas de livros e de desenhos animados, ao passar junto da gaiola ficou pregada e encheu o espaço à sua volta de interjeições e admiração.

- Oh pai eu quero uma galinha, compra uma galinha...

Esta agora, batatas, laranjas, couves era normal, mas uma galinha viva não estava no programa, pensou o pai.

- Quanto custa uma galinha, perguntou o pai da Alice ao aproximar-se da gaiola. A menina tremia de emoção. - Pode ser a pedrês pelada. O homem atou um cordel em volta das asas do bicho e respondeu, não senhor ainda não põe mas não há-de faltar muito.

Já no carro e de regresso a casa o pai ia pensando de que forma a galinha haveria de chegar a cabidela, pois em casa não havia lugar para a galinha a não ser na panela. Mas a Alice reproduzia uma emoção tal, que deixava antever um problema difícil de resolver.

Lá em casa já havia um cão e um gato e à falta de melhor, a galinha Inácia foi cuidadosamente apresentada ao Calito (o cão) que sem perceber bem que bicho era aquele a acolheu no canil, com uma indiferença preocupante.

A galinha foi de repente a atracção de toda a família e sem descriminação de espécie ou raça, não se podendo dizer de cor , pois o cão preto, o gato da mesma cor e a galinha pedrês, quase preta, entenderam-se lindamente. A Alice de vez em quando pedia para dar "miminhos" à galinha e esta agachava-se e aceitava as festas.

Já à mesa, o tema de conversa era a galinha. -Será que vai pôr? -Se calhar já é velha! - Não, é novinha está muito redondinha vai pôr sim (dizia a mãe). - Temos que arranjar um ninho. - E uma caixa com areia. E a avó com a certeza de quem em tempos criou galinhas, afiançou que iria mesmo pôr e já não tardava muito. - Temos que ir inscrever a galinha na Junta de Freguesia, é obrigatório por causa da gripe das aves. Disse o pai.

Depois de alguns quilos de milho comprados, de muito excremento de galinha apanhado, os três bichos dormem agora juntos. O Fitas (o gato), dorme no ninho; A galinha Inácia, dorme no poleiro, construído logo no primeiro dia e o Calito, vai aturando isto tudo no seu sítio de sempre de repente transformado em "gatilheiro", uma mistura de gatil, com galinheiro .

A Inácia está agora mais longe da cabidela, já põe. O primeiro ovo apareceu partido debaixo do poleiro, o bicho talvez nem tenha percebido o que lhe estava a acontecer e arreou o ovo mesmo sem descer do poleiro. Até o gato já percebeu que agora tem que se levantar mais cedo do ninho, para dar o lugar à Inácia. A Alice delira com os ovos da sua galinha pintadinha e na sala do infantário todos conhecem a história da galinha Inácia.

publicado por Cravadinho às 23:22
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2 comentários:
De Miss Fofy a 1 de Março de 2008 às 13:08
inacia mas nao era galinha pintadinha
De Cravadinho a 3 de Março de 2008 às 00:20
Guigui, galinha pintadinha é a da canção. Esta é a galinha Inácia, por analogia a galinacea. :)

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