Segunda-feira, 5 de Junho de 2006

QUANDO O LÍDER FALHA

Há algum tempo atrás, passei em Mértola, num dia de semana, junto de uma reserva de caça e vi um dos maiores ajuntamentos de carros topo de gama, que alguma vez...

Pronto, está bem! Isto começa mal, cada um faz a vida que entende ou que pode e o argumento não reside aqui.

A questão essencial é esta: os que partem pedra (o povo), os que estão na linha de fogo quando se fala de produtividade (improdutividade), são quem injustamente  e invariavelmente, carrega o fardo do que de pior a nossa economia tem. Então e os líderes? ( as chefias), que são contratados e pagos para apresentar resultados e o que têm para apresentar é o que est á á vista (é péssimo).

Não adiante divagar em teorias talhadas à medida de quem as inventa para seu próprio beneficio, a realidade são os factos que temos à frente do nosso nariz todos os dias. Não vale a pena eu estar aqui a particularizar, porque todos sabemos o que est á em causa e o que est á em causa é a falha do líder e quando o líder falha o grupo perde orientação e motivação.

Depois isto acaba por gerar o efeito odioso de nos colocar uns contar os outros, porque no fundo somos todos utilizadores do mesmo sistema (ou quase todos), chamamos nomes uns aos outros, participamos e reclamamos uns dos outros e não nos lembramos que h á responsáveis e não nos lembramos porque não são perceptíveis, nem física nem espiritualmente .

Porque razão falha a liderança?

Serão mal pagos; hierarquicamente será uma cadeia sem ligações, estão manietados por um sistema que transporta da base para o topo os vícios e a má prá tica ????????????

Um exemplo para reflectir (sem o propósito de exagerar, que tem levado que chegue nos últimos dias), mas que é extensível a outras formas de organização, ou desorganização:

As Escolas. As escolas são geridas por um grupo de professores designado por Conselho Executivo. Grupo este eleito pelos pares (outros profs) e pelos auxiliares de acção educativa (os contínuos). Os coordenadores de grupo idem, os directores de turma idem. O que resulta daqui é uma anulação por completo das competencias de chefia e liderança, ou seja, toma lá o meu voto, dá-me lá um horário bom ou as turmas tais.

Este é um caso particular onde o que há para apresentar enquanto resultado é muito mau e não adiante os professores fazerem fuga às responsabilidades, porque não há mais ninguém nas comissões de avaliação, nos CAE nas Direcções Regionias, nas secretarias do Ministério... a não ser professores.

No fundo (digo eu sem estar seguro de ter razão), a palavra de ordem deve ser "repensar os modelos de organização", quer no sector público, quer no sector privado e desinstalar quem está bem sentado em determinados cargos, sem dar provas de competência.

publicado por Cravadinho às 23:32
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5 comentários:
De extramodum a 8 de Junho de 2006 às 14:21
Jasué:

Tenho andado afastado das lides bloguistas (a nível de escrita), mas não pude deixar de comentar este teu último post.
A(s) razão(ões) são as seguintes (chega de alternativas no plural ou singular...):
1 - O que tem a ver um ajuntamento de carros topo de gama com o resto do texto???
1.a) Será que quem tem topos de gama tem que escondê-los, um pouco à semelhança do pós-25???
1.b)Será que são os detentores dessas máquinas os culpados pelo actual estado das coisas ou, pelo contrário, serão eles os únicos com visão suficiente para saber tirar partido da situação??? - neste caso, deveríamos elogiá-los pela sua inteligência... e, por que não, invejá-los!!!!
A inveja, em meu entender, só é pecado em duas situações: 1 - Se formos fanáticos religiosos e levarmos a peito os 10 mandamentos. 2 - Se desejarmos algo de mau a que tem as coisas e não nos esforçarmos por , também nós, termos acesso a elas....
Pela minha parte te digo: Adorava ter um "topo de gama". Adorava estar nesse grupo por onde passaste (não pelas eventuais companhias, mas pela actividade que praticavam e de que eu gosto). Adoraria (este é que é o tempo certo do verbo adorar...) ter disponibilidade para apreciar um pouco daquilo que a vida ainda nos pode dar.
É certo que o resto do texto nos remete para outra situação: a da falta de competência de quem nos lidera (ou devia liderar...). Dos eventuais líderes e dos líderes eventuais; dos chefes efémeros e dos efémeros chefes (aqueles que nunca sendo chefes, assumem a responsabilidade quando é preciso...).

Concluíndo, e concordando com o remate do teu texto, há que valorizar quem inveja "topos-de-gama" e trabalha para os obter; há que dar valor a quem não se contenta com o que tem e tenta a todo o custo (dentro da legalidade) ter mais; há que respeitar a hierarquias mas... não a qualquer preço.

Um abraço,
extramodum

P.S. - A propósito, no meu emprego, acabei de "dispensar" um elemento válido para dar entrada a outro "potencialmente muito melhor"... e que , por puro acaso, é amigo de um conhecido, que em tempos..... ;)
De Cravadinho a 9 de Junho de 2006 às 00:37
Julgo que te escaparam dois pormenores (ou talvez não). Um está no 1º parágrafo e é o mais importante, tratava-se de um dia de semana e durante a semana, é suposto que as pessoas que fazem pela vida honestamente trabalharem tb podiam estar de férias ??). Concerteza que os carros independentemente dos modelos, não seriam de funcionários que fugiram ao chefe, mas sim dos chefes que fugiram à responsabilidade (não estou seguro). O outro pormenor está no 2º parágrafo. Se reparaste, emendei logo de seguida antevendo que sensibilidades maiores" achassem que os cavalheiros pudessem estar ali honradamente e sem prejudicar ninguém e o argumento da "falha do líder caía logo ali por terra. Ainda bem que comentaste! O pior dos incómodos é a indiferença ...
Abraços
De extramodum a 8 de Junho de 2006 às 18:34
... neste momento, sinto-me como o infeliz "torero" (de dois tópicos abaixo) a quem "el toro" fez... o que devia fazer: defendeu-se! E, no entanto, eu sou aquele que o enfrenta, e é castigado... apesar de muitos outros o terem maltratado... Quando tal acontece, há duas situações: 1 - Ou o Touro se defendeu do ataque do "Torero" e "despejou" sobre ele toda a fúria dos maus-tratos anteriormente sofridos. 2 - Ou, a mais comum, "Se não estivesses de acordo com o que fazes ao touro, não te metias à frente dele..."
Mas, meus amigos, nem sempre assim é: podemos "simpatizar" com o "touro"; podemos até tentar defendê-lo, mas se a nossa vida depender de sacrificar outro "bicho", infelizmente, não duvidamos... e, então, tentamos dar brilhantismo ao acontecimento, de modo a valorizar ainda mais a nossa "faena"... Sacrificamos o animal, recolhemos os aplausos dos "experts", os apupos dos "defensores da natureza", o agrado dos "compreensivos amigos de ocasião" mas... sofremos as marteladas da nossa consciência... e , das duas , uma: ou nos sujeitamos às marteladas e lutamos com a nossa consciência, ou tomamos uma atitude em que nos recusamos a "espetar mais ferros nos bichos" cuja única culpa que têm é... terem aparecido à nossa frente...

Acho que vou optar pela segunda, ainda que isso me obrigue a encerrar uma carreira de que me orgulho mas que não posso manter "contra a minha consciência". Foi este o "último touro" que matei. Não o farei mais, nem que para isso tenha que ser colhido ali onde dói mais.

Olé.
De Cravadinho a 9 de Junho de 2006 às 00:10
Se percebi bem a metáfora, o comentário que me apetece deixar é : OLÉ !!!!!!
De Cravadinho a 9 de Junho de 2006 às 00:50
Ainda aqui volto para deixar mais uma:
A vida constroi-se ou destroi-se fazendo opções. Mas ainda assim, a pior delas todas é optar pela opção de não fazer opções. Se já optaste, os meus parabéns.

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